13. A existência. A condição humana.

O que será a vida? Quando é que, de facto, nos sentimos realmente vivos? Será mesmo necessário ao longo de toda a nossa existência estarmos constantemente à procura de algo para provarmos, a nós próprios, de alguma maneira, que estamos realmente vivos? Que a nossa existência não se resume unicamente a satisfazer as nossas necessidades mais básicas, enquanto animais - alimentarmo-nos, dormirmos, sermos saudáveis, usufruirmos do conforto que os bens materiais nos proporcionam…que ela serve, também, para podermos procurar aquilo que dê significado a esta nossa condição, a de seres humanos?

Os dias de hoje…

Somos afortunados…cada vez mais aquelas condições são satisfeitas, uma maior abertura mental e espiritual é mais evidente na sociedade (ainda que muito lentamente) …é nos dado um maior espaço para dedicarmo-nos às nossas aspirações pessoais…

A evolução cada vez mais nos oferece um maior leque de oportunidades para podermos concretizar aquilo que nos realiza, aquilo que nos dá a resposta para o que tantas vezes procuramos: o significado da nossa vida, o que ela é e como é que a devemos viver…

A existência é a primeira condição para estarmos vivos e não mortos.

Porque é que alguém tem de morrer?

Alguém tem de morrer para que aqueles que ficam possam dar valor à vida.

A paz não se encontra fugindo à vida…a morte é apenas a certeza de que tudo tem um fim, de que o nada, o vácuo, o fim da existência – o desaparecimento total – é a maior certeza de que temos conhecimento…

Como será não ter emoções, sensações e sentimentos?

O que é não sentir?

O que é não pensar?

O que é não viver?...

O nada, o vácuo…é a morte. O fim certo.

"A vida num momento em gestos nunca iguais…"

A vida é feita de momentos…mas de todos eles, aqueles que ansiamos mais por viver são aqueles que nos trazem felicidade…

A felicidade…

Os contos de fadas...o incutir de ideias como ‘felicidade eterna’ e do ‘felizes para sempre’…é como devem ser os nossos sonhos…

Discordo de um padrão de sonhos para todos: tantas desilusões que nos trazem mais tarde…

A liberdade de podermos idealizar o nosso próprio conto de fadas…um mais realista mas, ainda assim, que nos realize…

Ser-nos-à dada essa liberdade? De idealizarmos a nossa própria felicidade sem termos de nos basear em padrões? Não sofreríamos menos se assim fosse? Será que iríamos ser capazes de dar o devido valor a esses melhores momentos?

O que sei é que a vida é feita de momentos…todos eles diferentes…a felicidade quando aparece é naquele momentonaquele instante…com aquela intensidade…depois, entre os momentos estão…sobre o que somos, estão…as horas…sempre…

12. Vaganeando...

A divagação é muita…
(o pensamento outro tanto…)
Preciso adormecer…preciso desligar…
Tenho de rejuvenescer…tenho de sair…
Preciso acalmar…tenho de escutar…
A vida seriamente não deve ser levada…há que fluir…deixar ir…
Saber amar, com todas as forças…em todas as direcções, em todos os sentidos…o sabor da partilha e da dádiva…apreciá-los em toda a sua plenitude, quando as circunstâncias assim o permitem…
Um novo rumo quero dar…o meu alento preciso reaver…
Ilumina-me a inspiração… (preciso que voltes…necessito de ti…)

“A vida num momento em gestos nunca iguais.” (Pedro Abrunhosa)

11. "…como os cravos a florir!"

Luta, lágrimas e suor:
gritos de alma e de dor.
Entoam emoções contidas
daquilo que foi vivido.

Como os cravos a florir,
as verdades amanhecem.
A ideia expressa numa palavra:
o som que canta a liberdade!

Susana Barão

10.



...a letra diz tudo: "'cause i don't wanna go alone..."
=*

Waiting on an angel
one to carry me home
hope you come to see me soon
cause I don't want to go alone
I don't want to go alone
Now angel won't you come by me
angel hear my plea
take my hand lift me up
so that I can fly with thee
so that I can fly with thee
And I'm waiting on an angel
and I know it won't be long
to find myself a resting place
in my angel's arms
in my angel's arms
So speak kind to a stranger
cause you'll never know
it just might be an angel come
knockin' at your door
knockin' at your door
And I'm waiting on an angel
and I know it won't be long
to find myself a resting place
in my angel's arms
in my angel's arms
Waiting on an angel
one to carry me home
hope you come to see me soon
cause I don't want to go alone
I don't want to go alone
don't want to go
I don't want to go alone

9. "Se eu pudesse deixar de correr..."

Se eu pudesse deixar de correr
Caminhava se eu pudesse deixar de caminhar
Sentava-me à sombra da nogueira azul do céu
Se eu pudesse deitar-me deitava-me
Numa cova com a forma do meu corpo em
Repouso se eu pudesse deixar de cantar
Fechava os olhos e olhava o alto vazio
Onde não acontece nada a não ser
A conciliação provisória do caos
E da luz que não se cansa de nascer.

(Casimiro de Brito, Na Via Do Mestre)

É talvez um dos meus poemas predilectos deste homem que é poeta algarvio, mas também "romancista, contista e ensaísta" (http://casimirodebrito.no.sapo.pt/portugues/index.htm).

Como diz bem o velho ditado, "Parar é morrer.",... mas às vezes não dá vontade de simplesmente contemplar a beleza das pequenas coisas que existem em nosso redor?... Há sempre tanto para fazer e, ao mesmo tempo, para apreciar, revisitar, deslumbrar...temos tão pouco tempo para tudo...*

8. Amuleto para a Alma...


Escutei um dia aquela voz,
cuja vibração me acolhia.
E então fui saber,
se podia,
aquela voz que me acolhia
apagar eternamente
aquele tormento
que sobre mim recaía.

E assim,
a escuridão que existia
mas que parecia não sumir,
depressa,
e apenas num só dia,
começou a sair
de dentro de mim.

Então suspirei
e perguntei -
De onde vinha aquela voz,
que um dia senti
e me confortou…
E num instante apagou
aquela inquietação
presente no meu coração…

Mas foi então que percebi,
e compreendi,
que aquela voz
que um dia me sorriu,
e aplaudiu,
tinha estado sempre aqui,
dentro de mim.

É um sinal que se fez
e está presente.
É uma força que não vês
porque parece ausente.
É virtude de quem busca a vida
e não se cansa.
Sempre erguida,
irradia esperança!

Susana Barão

7. "...sobre o mar."



Escuto aquele silêncio insistente
que num esbater de ondas é quebrado.
E fui sonhar,
relembrar…
A substância misteriosa
escondida naquela harmoniosa
cantiga indefinida
que os homens respiram,
saúdam,
contemplam:

Sois profundo e intenso,
infinitamente enigmático.
Porque em ti todos os segredos se escondem –
Porque os guardas…
Não os desvendas…

É para ele que me dirijo,
se a nostalgia me invadiu.
É para ele que me viro,
se uma inquietação me consumiu:

Sois um fascínio,
somente beleza -
porque existes,
com certeza.

Sois a mistura de um abrigo
entrelaçado infindavelmente
numa força resistente.

Sois vida,
Sois natureza!

Susana Barão

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